Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail this to someonePrint this pagePin on PinterestShare on LinkedInShare on Google+

Porque YALUC?

Puerto Malabrigo, Perú. 1932.

Paloma Yaluc, camponesa humilde, caminha pelas áridas terras do deserto em direção ao Oceano Pacífico, que ironicamente banha uma das regiões mais áridas do planeta.

e é exatamente ali, no meio do nada, que encontra-se uma onda mística, daquelas que todo surfista, quando menino, desenhava no caderno durante as chatas aulas de matemática.

Chicama, distante cerca de 560 km da capital do Perú, Lima, era na época um destino raro entre os surfistas do mundo. Hoje, o inglês é língua comum e obrigatória entre os nativos de Malabrigo, pequeno vilarejo localizado de frente para o pico das esquerdas mais que perfeitas.

Mas, lembrem-se que estamos falando de 1932. Nesse ano, o pai de um dos fundadores da Zee, lançou-se em uma aventura extrema para a época: surfar as intermináveis esquerdas de Chicama (quase 4km de extensão!). Para isso, sairia de carro, do Rio de Janeiro com sua prancha, uma mochila, o pouco dinheiro que tinha economizado consertando pranchas dos turistas ao longo do verão, e só.

Não vamos nos estender falando da viagem, porque só ela daria um livro, tamanha a aventura. O percurso, feito no Fusca gentilmente cedido pela família do aventureiro (sob a promessas e juras de ser devolvido inteiro), foi recheado de perrengues, encontros e desencontros. Mas isso também  fica para outra oportunidade.

A viagem demorou o dobro do esperado. No teto do simpático fusquinha, sua maior relíquia. Uma prancha que pertenceu a Tito Rosemberg, aventureiro desbravador de ondas virgens, lendário surfista do Arpoador que revolucionou o surf carioca trazendo para a cidade maravilhosa os primeiros modelos de prancha feita em fibra! E, na verdade, tendo uma roupa no corpo, nada mais importava para nosso intrépido herói. Prancha e parafina eram a gasolina que impulsionava sua mente e coração.

Enfim, Chicama!

Do alto do penhasco era possível avistar as linhas intermináveis das ondas que, apesar de pequenas, entravam perfeitas na bancada de pedras lisas e arredondadas.

história das estampas

Nem em seus sonhos mais insanos imaginou que pudesse existir uma onda assim.

Não conseguiu nem sair do carro.

Dali mesmo deu meia volta e desceu, acelerando o máximo possível, a tortuosa estrada de terra batida que levava até a areia da praia. Ao seu redor, nada além de lagartos, poeira, e pedras.

Levou o valente Fusquinha até a beira d’água.

Saiu apressado do carro, louco para pegar sua prancha e dar as primeiras remadas em direção aos desenhos de seus cadernos. A cabeça olhava fixamente para as ondas, enquanto as mãos tateavam o teto do carro para soltar a prancha do rack. … CADÊ A PRANCHA???

Ali, no meio do nada, perto de lugar nenhum, o malandro carioca de fala mansa perdeu as palavras  e viu a vida passar nos seus olhos. Tão longe e tão perto ao mesmo tempo.

Olhou ao redor, sem saber o que procurar, mas tentando achar algo que desse alguma esperança para sua causa. Os olhos  estavam quase chorando quando focaram em uma silhueta que vinha caminhando na praia deserta. Paloma, a camponesa do começo da história, apareceu do nada, como num passe de mágica. Na sua cabeça, uma cesta de vime trançado rusticamente, com alguns peixes. Embaixo de seu braço, uma das pranchas mais lindas que já havia visto em sua vida.

Paloma se aproximou e, abriu um sorriso tão branco, mas tão branco, que chegava a o ofuscar sequer permitindo olhar diretamente para ela. Aliás, nosso amigo reparou que ela brilhava por completo, como se envolta em uma aura de luz.

Sem proferir uma palavra sequer, apoiou o cesto em sua cocha esquerda e passou a prancha para as mãos do incrédulo surfista. Esse, por sua vez, fixou o ollhar naquela prancha perfeita, de um material que ele nunca havia visto antes, e imaginou como aquilo fora parar ali. “Talvez ela saiba”, pensou. Ao levantar os olhos para dirigir a pergunta a Paloma, não mais  a encontrou.

Da mesma maneira que havia aparecido, Paloma sumiu no horizonte empoeirado.

Na prancha mágica, por baixo da parafina intocada, ele pode perceber que havia algo escrito. Rapidamente tratou de raspar a cera para descobrir do que se tratava.

Ao ler, o coração disparou….

“Seja bem vindo,  querido amigo. Divirta-se! Abraços do Tito Rosemberg”.

E nessa hora entrou uma série de ondas ridiculamente perfeitas, com 6 pés que, ao quebrarem, produziam uma espuma branca, mas tão branca, tão branca, que era digna de ser comparada com o sorriso de Yaluc.


por Zee.Daily

Share on FacebookTweet about this on TwitterEmail this to someonePrint this pagePin on PinterestShare on LinkedInShare on Google+

CONHEÇA AS INCRÍVEIS HISTÓRIAS DE NOSSAS ESTAMPAS

Category: ZEE WORLD
0
1848 views

Comentários

SE VOCÊ CURTIU ESSE POST, INSCREVA-SE E SAIBA MUITO MAIS.

Promoções, dicas de nutrição, lugares, comportamento e mais, direto na sua caixa de e-mail.

150807_blog_us_page_1

HEY, VOCÊ!

VENHA FAZER PARTE DA FAMÍLIA ZEE!